Anestesia Geral

Algumas orientações assustadoras, uma assinatura e metade de um comprimido. Desperto com um tapa na perna, dizendo “chegou a hora”. Meus pais otimistas. Minha mulher, claro, chorando. Na sala de cirurgia consigo entender um pouco do que se fala, a equipe ri e sacaneia o médico principal que ainda não entrou no picadeiro. Eu tento interagir, inutilmente, concordando que o doutor, ao contrário de mim naquele momento, não é nada paciente. Alguém dá uma risada, não sei ao certo se pelo que disse ou se pelo meu estado de embriaguez. Tudo fica escuro e discuto alguma coisa sobre o Guia da Semana. Desperto com um tapa na perna – estupidamente mais forte que o anterior para logo ressuscitar daquela experiência de quase morte – e um suave “acabou”. Mencionei um sonho com o trabalho. Alguém da equipe riu e disse algo como “Muito ruim, hein”. Concordamos mais uma vez até eu ser arremessado da maca para uma cama cheia de fios e botões que, num primeiro momento me pareceu divertida, até descobrir onde realmente estava.
Recebi as primeiras visitas ainda num certo barato, as vendo de um olho remelento e falando como se a língua pesasse mais de um quilo. Só despertei, realmente, algumas horas depois, quando li no jaleco da mais atenciosa das enfermeiras seu curioso sobrenome: Fuck – sim, eu juro! Pensei nos diversos trocadilhos infames sofridos com o meu sobrenome e não hesitei: “Tu quer me fuder, né?”*
Depois de 42 horas na UTI, confirmei o presságio e pensei que a piada havia sido feita num momento ingrato.
A anestesia me fez refletir.
Hoje, com digno espanto, acessei este obscuro blog e constatei o longo tempo que não me expunha por aqui. E lendo o último post, vejo quanta coisa aconteceu neste longo espaço de tempo. E ainda assim, mesmo com tantas surpresas no meu enredo, novos amigos, novos desafios, sinto que fui tomado por um fenômeno que achei por bem chamar de síndrome do apequenamento da alma.
A anestesia geral já estava em mim há muito tempo.
Percebo que o tédio tem me degenerado. E não é um tédio silencioso, estático. Tem até uma certa dinâmica, algum barulho e densidade… É um tédio de raíz…
Estou soterrado por uma avalanche de possibilidades de desenvolvimento, prazer, conhecimento e diversão, mas – se você faz parte da meia dúzia de pessoas que chegou até aqui, provavelmente, vive a mesma situação que eu – sofro da mais sepulcral falta do que fazer!
Outro dia li uma história sobre tempo perdido no adiamento dos sonhos . Isso é tão verdadeiro quanto fácil de acontecer – não a realização, mas seu adiamento até a morte. Um processo sádico de autosabotagem .
Eu, por exemplo, só lembrava da vontade de escalar quando tinha dores fortes na coluna a ponto de achar que qualquer movimento poderia me paralisar. E desse pensamento, vários que a situação me impossibilitaria: a meia maratona, a gafieira, a rave, a Marques de Sapucaí.
A coluna está curada. Mas ainda não sei o que fazer daqui pra frente.
A anestesia é inebriante, deliciosamente confortável. E, por isso mesmo, verdadeiramente perigosa.

*Notas:

Sei que a expressão “Tu quer me fuder” erra na concordância e o palavrão em questão é grafado com “o” (e não foi só o corretor automático que me contou).

Sobre a concordância, não sou gaúcho pra acertar a concordância dos verbos na segunda pessoa (que aliás, é a única conjugação que meus caros amigos do Rio Grande do Sul acertam). Sou do Rio e, por aqui, é “tu quer” mermo!

Sobre o foder, não adianta. A força de alguns palavrões está no erro. É como xingar um juiz de futebol de “Filha da Puta”. Ou chamar alguns escrotos de “Seus Merda”.

 

 

Escalada

Rarefeito ar

Arranca artéria, alvéolos e o orgão goela à fora.

Arrepia, arremata,

Mata.

Morro à frente, em desafio.

Um sopro se inverte e se aguça num fino assobio a apagar a garganta.

E entorpece.

Calma, respira pelos olhos.

Sobe ao limite, ao ar visível

Ciano de efeito raro sob a cortina fria e translúcida,

Onde precipita a imensidão.

Purifica.

E fica…

E você, nada?

Diariamente entro num ritual de autoflagelo como forma de me punir pelo abandono do menor e incapaz “Realidade Diminuida”. Criei esse espaço como forma de exercitar as palavras (e exorcizar os demônios) e continuo na mesma ferrugem. Mas não contarei a pena que aplico a mim mesmo. Apenas justificarei minha ausência – que, por sinal, não é só neste espaço: eu leio menos, estudo nada, saio pouco,  escrevo porra nenhuma, encontro quase ninguém, não janto fora desde o dia – o diaaaaaaa – em que eu virei um NET.

Eu sempre fui um telemaníaco não confesso. Desde pequeno tenho essa fixação pela TV e, desde então, ela só me atrapalha – estranho é que não acompanho nenhum programa por inteiro, mas sei de quase tudo o que acontece em todos os lugares. Se assisto alguma série? Nunca. Mas sei o nome de uma porrada delas que existem por aí, o elenco e quantos Emmy Awards elas têm. Sobre as novelas? Nem se fala. Detesto todas, mas conheço todos os personagens e, de alguma forma, acompanho a vida de cada um deles – ah, e claro, espezinho os autores consagrados pelas obviedades da trama.

Aquela felicidade pasteurizada, de sorrisos largos e champanhe a beira da piscina às nove da manhã de uma terça-feira de sol… chega a dar nojo….

Mentira! Chega a dar inveja.

Mentira! Porra, é tudo o que sonhei!!

Mas vamos combinar que aquilo não existe – ou até sim, se você, minha senhora, é casada com o Eike (você tem que ser uma gata abala-as-estruturas-da-obra e topar andar, eventualmente, com uma coleira de diamante – o que, na boa, não é nenhum sacrifício).

O fato é que não há felicidade genuína na tv. E falando nela (a felicidade), a cena mais bonita que presenciei sobre o tema foi fora da tela. Durante 6 anos no meu trajeto trabalho-casa passei pelo famoso Balança Mais Não Cai (precisamente, embaixo dele – ainda bem que, assim como o nome profético do edifício diz, ele só estremece de vez em quando, sem estabacar) onde a alegria, o churrasco de filé miau, as jukeboxes, a Nova Schin e os cigarros Derby comem solto!  Todo mundo ali tem aquele sorriso descontraído e um ar melancólico de quem, realmente, só tem aquele prazer. Mas um cara específico me chamou atenção – o tal da cena.

Acabara de pedir minhas contas na empresa e seguia rumo ao meu novo destino desafiador – naquela implosão de sentimentos de tristeza, alegria e medo – quando vejo um senhor por volta dos seus 50 anos, em plena luz do dia, aparentando uma estranha sobriedade, dançando”Beat it” com um gingado de dar inveja ao Michael  – claro, ao lado de uma estridente jukebox. Não sei explicar o que aquilo me despertou mas, diferente das outras pessoas que frequentavam aquele bar, esse homem era explicitamente feliz. A desenvoltura, a displicência e aquela boca banguela eram de uma pessoa que atingiu um grau de desprendimento invejável. Ele tinha aquela cara de quem um dia sofreu muito, de tudo: pobreza, mortes, fome, desemprego…. e entendeu que a única coisa que lhe restava era: ser feliz. E o cara era empenhado! Simples assim!

Genuinamente emocionante.

Percebi quão boba era minha angústia e aquilo me encorajou.

Voltei a pensar sobre os sentidos dessa vida, dentro ou fora de uma tela. E percebo que o mundo é feito para os que querem mergulhar de cabeça.

E, pra mim, só existem dois tipos de pessoas: as que sabem e as que não sabem nadar.

…….

Observações gerais e irrelevantes:

– No post faço uma menção ao jogo da Mentira do programa Quinta Categoria da MTV – é um dos poucos que acompanho por inteiro. Não me acrescenta em nada, mas eu me divirto à balde!

– Eu já tomei cervejinha num dos bares do Balança Mas Não Cai. A estrutura é segura. A comida, não.

Um obstinado sem sangue nos olhos

Sempre cobro da minha personalidade, alguma emoção mais ácida, voraz e ofensiva. Talvez por sempre enxergar nos vencedores essas características. Sei que muitos me vêem com um cara calmo, tranquilo, sem acessos de fúria e, de certa forma, acomodado – se  morasse nos Estados Unidos aposto que esbarraria com várias pessoas colocando um L na testa ao passar por mim. Estão todos certos – exceto pelos acessos de fúria por quais já passei e que seria capaz de assustar o mais crente e eficaz dos padres exorcistas.

Mas algo tem mudado nesse processo de amadurecimento. Percebo em mim uma obstinação, uma coragem tímida, sem a fome, sem a raiva, sem o sangue nos olhos.  Uma certa malandragem camuflada. Entendo que posso vencer sem  histrionismo, sem bagunçar o coreto, sem muito alarde.

Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho.

A vida tem sido pra mim como um mergulho no posto 9:  pra chegar ao mar vou cambaleando, pisando com cuidado para não jogar areia em ninguém, enquanto algumas bundas contentes me observam (e vice-versa) me guiando àquela magnífica recompensa.

(Aqui, um parêntese – redundante – :  uma das grandes vantagens de ser humano, pra mim, é ter a consciência do prazer de submergir no oceano, tão avesso e inóspito a nós. Aquela sensação de perder o ar num infinito azul e aquoso é tão único e prazeroso quanto nascer. Quem não gosta de praia, amigo, bom sujeito não é)

Voltando à minha auto-análise enxergo, hoje, com felicidade esse traço sereno da  minha postura frente à vida. Talvez por isso, aos 11 anos de idade, quando li pela primeira vez os famosos versos do gênio Mário Quintana, tive vontade de tatuá-los na pele:

“Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”

Ao menos do coração, eles nunca sairam…

Meu nome é Fabio Kuhn

A vontade de não ter vontade… Essa é a justificativa da minha longa ausência. Há certos momentos em que, simplesmente, não queremos nos expor. E isso é ruim, muito ruim… Tenho poupado comentários,  fofocas e até gargalhadas. Mas é uma fase contra qual me esforço agora para deixar pra trás, de lado, ou qualquer posição que (opa) deseje ficar.

Poucos comentaram esse meu período de ostracismo ( sempre tive vontade de atribuir esse termo a um “chá de sumiço” meu – o que é, óbvio, um exagero), mas dos meus 12 leitores (estou chegando lá, Xexéo), uma pessoa em especial me deixou inflado de orgulho: o nome dela é  Sandra. O motivo do meu orgulho: eu nunca a vi.  Achei o máximo saber que existe alguém que só me conhece por essas baboseiras que escrevo aqui e, ainda sim, manifestar suas saudades.

Ok, tô floreando um pouco…. ela não é tããão desconhecida assim. Trabalha com o meu irmão, o que me torna menos estranho a ela – considere que ver o Cláudio  é praticamente a mesma coisa que olhar para mim –  somos muito parecidos! A diferença é que ele é mais moreno, mais baixo, mais velho, mais gordo, mais careca, mais grisalho e, ainda assim, acredite, muito mais bonito!

De qualquer forma, obrigado pelo carinho, Sandra. E, desculpe se o meu irmão te obriga a ler meu blog… sei que ele gosta de pedir esse tipo de coisas, faz ameaças… Mas, fazer o que, né? A gente precisa manter o emprego.

Voltando ao papo-brabo, quero falar sobre a auto-exposição – já que acabei de expor duas pessoas queridas sem autorização, cerimônia ou pudor.

Sempre tive latente um desejo de me apresentar para o mundo todo, de ser popular ao extremo, de receber o  Oscar e dedicar a estatueta à minha mãe. Quando tinha 14 anos, fiz um cartão de natal para toda a família – era o que o dinheiro permitia fazer nessa idade – dizendo a todos “Anotem esse nome, pois vocês ainda ouvirão muito falar dele: Fabio Kuhn”. E olha que nessa época eu não passava de um adolescente bocó em Barra do Piraí.

Queria dar a cara à tapa, me lançar aos leões.

Pois bem, 17 anos se foram e, cá estou eu… o mesmo bocó, que só mudou de endereço e virou adulto. Não consegui cumprir a promessa: a única pessoa que ouve muito falar o meu nome sou eu mesmo. Afinal, as pessoas adoram dizê-lo inteiro: “Oi, tô aqui com o Leo, o Vitor e o Fabio Kuhn”; “E aí, Fabio Kuhn, vai almoçar agora?”… Sem falar nas variáveis: Kuhnzinho, Kuhnzão; Kuhnzito etc, etc, desvelando uma série de baixarias e atrocidades muito carinhosas (a melhor ouvi de um amigo, ao me despedir do Sistema Globo de Rádio: “Vai-se o melhor Kuhn da praça!”)

Descobri que o mais popular em mim, já nasceu comigo: ele, o Kuhn. Não é um privilégio? Ele não me traz dinheiro, nem muito prestígio. E apesar de todo o deboche que ele provoca, e eventual vergonha por qual faz esse cara tímido passar, adoro tê-lo ao meu lado (ou atrás de mim, dependendo do ângulo ou do ponto de vista).

Quanto ao sonho adolescente de me expor, ser famoso, popular… continuo me auto-sabotando.  Acho que isso não é mais pra essa vida.

Na atual encarnação, me contento em ter apenas esse blog, escrito para “os colega tudo”.

Já é exposição mais que suficiente.

Decassílabos

Ainda revendo meus escritos  (ou escrotos, sei lá), achei dois poemas com versos decassílabos. Sabem o que isso significa? Eu realmente não tinha nada pra fazer da vida… E, definitivamente, o ócio é criativo. Eu não me lembro muito bem da explicação sobre essa métrica literária, mas sei que o ritmo é ditado pela forma como se distribui as sílabas do verso, fazendo com que todos eles tenham a mesma quantidade de tônicas… Ah, não levem a mal – nem eu mesmo entendi. Não sei explicar, e ponto.  Lembro que dava um trabalho danado ficar tentando encaixar as palavras, fazendo com que tivesse certo sentido e que contivessem 10 sílabas. Foi gratificante, na época, vê-los nascidos… Apesar de não ter certeza se estavam corretos.

“Um quase soneto aos livros abertos”

Em toda forma de desejo, cala

Algum segredo que não se revela

E sangra, em sussurros, do amor, a fala

Corroendo agudo a canção mais bela

Tudo na vida o que se oculta, corta

Furando os olhos, conduzindo à morte

Cravando dor em alma errante e torta

Velando a febre em todo corpo forte

Morrer em si é tristeza que sufoca

Vira choro de luto que não pára

Pois quem mente sofre e, de si, desloca

Vive incerto e o certo não declara.

A verdade, deveras, dor provoca

Mas por de fato sê-la, é dor que sara.

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“Lacrimal”

Ela chega, talhada em água triste

Deslizando dispersa dentre a alma

Borbulhando, lateja e não resiste

Resvalando fervente em face calma.

Expele todo o fogo sufocado

Habitante do peito e da retina.

Lambe, em lavas, os poros com agrado

Tendo a morte nos lábios como sina.

Já na língua revela-se salgada

E, suave, passeia pelos dentes

Descendo, na garganta é sepultada

Ressuscita sagrada e impotente.

Flor colhida do sangue, como o soro

Essa gota desfaz do ser a mágoa

Sai cantando sua raiva pelo choro

Transformando alegria e dor em água.

Recomeço

Além dos membros da minha família, descobri que tenho mais quatro leitores.  A soma destes deve totalizar uns dez (a incerteza vem do fato de não saber se todos da minha família lêem o blog) . Bem, se levarmos em conta que o Artur Xexéo e o Agamenon têm dezessete leitores, não estou numa marca tão ruim assim.

Com esses dados tão precisos, posso afirmar,então, que 25% deste universo de “leitores-amigos”, aqueles que não fazem parte do Kuhn-clã, mas que são grandes incentivadores, responde pelo nome de Julia*.

Dia desses, enquanto almoçávamos no restaurante da empresa, Julia fez um mini interrogatório sobre como iniciei na escrita…

Tudo bem, é mentira, eu que fiquei tagarelando em cima de uma única pergunta que ela fez: “você já escreveu poesia?”

“Sim, há uns 12 anos atrás. Minha mãe me cobra o tempo todo, pois diz que eu deveria divulgar esses antigos textos,  que são lindos e intelectualizados, mas, sabe como é, mãe não conta…” e bla, bla, bla entre uma garfada e outra.

Pois bem, depois desse quase monólogo eu fiquei com uma pulga atrás da orelha… “será que ainda tenho essas poesias em algum lugar? Minha mãe disse que guardou e nunca mostrou a ninguém”. Revirei uma gaveta e achei uns disquetes (!?) onde se encontravam esses escritos… ou escrotos, sei lá.

Só para terem uma idéia, montei uma compilação na época intitulada “Tentativa frustrada de incursão na própria alma: Poesia medíocre”.

Pausa, por favor.  Isso é quase um flagelo. Imaginem um jovem de dezenove anos, magrelo e cheio de espinhas na cara, escrevendo um negócio desses… Eu, como espectador que sou agora, diria: “gente, não dê nada cortante para esse rapaz”.

Mas não fiquemos penalizados: eu construía uma imagem de fracassado, mas era um cara bacana – sofria pra diabo, mas era, ainda assim, uma boa companhia.

Não sei se mudei muito, mas relendo essa compilação acho tudo muito estranho. Obviamente, nunca gostei de nada do que escrevi – e continuo um crítico algoz – mas, tomado o devido distanciamento, estou pensando em  “botar pra jogo” alguns desses poemas. Vamos ver o que os meus 10 leitores acham.

Afinal, quase não consigo atualizar o blog e esta seria uma maneira preguiçosa de fazê-lo. Eu não encontrei nada que me entusiasmasse, mas como estou topando qualquer risco, vou postar um hoje, que escolhi por não fazer a menor idéia de que diachos eu quis dizer com ele.

Nota antecipada:

* Vou fazer um comentário bem boiolístico, mas esse é o adjetivo que mais combina com a Julia Pierotti : ela é uma fofa!

“Recomeço”

Toda a sala nessas teclas:

A porta de entrada,

Toda porta torta é reta.

Minha vida tão incerta,

Minha vida.

Onde será que isso começa?

Toda chave me interessa

Para entrar em qualquer vida

De qualquer outro planeta,

Que não traga a sua pressa

De sangrar na despedida.

Ir embora foi sua meta.

E me pergunto a toda hora,

Com espanto absurdo,

Onde será que isso começa?

Toda chave nessas teclas:

A meta de entrada.

A porta da sala é torta.

Minha vida estava morta.

Minha porta.

Onde será que isso começa?

Tudo torto me interessa

Pra sair do seu planeta

Onde não existe vida.

A não ser a sua pressa

De me amar na despedida.

E me espanto a toda hora

Consumando a minha sina

Com perguntas absurdas

Por favor, responda agora

Onde será que isso termina?

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